Valor - Meu primeiro conto


Olá a todos, esse é meu primeiro conto.Resolvi reciclar uma história que a muito tempo eu escrevi, mas em forma de um conto espero que gostem!

Valor

Gustavo Reis Silva
30/12/2014



Era um final de tarde, mas não como aqueles finais de tarde onde o sol fica com uma cor alaranjada.Era um final de tarde gelado, o forte alaranjado do sol foi trocado por um azul gelado escuro.
Um garoto, de uns quatorze anos mais ou menos estava voltando de suas aulas de reforços, que estava fazendo devido suas baixas notas da escola.Um garoto com olhos castanhos e cabelo preto, podemos dizer que era um garoto comum, como qualquer outro.
Ele estava passando pela a praça de sua cidade, uma praça comum, com o grama e tudo.E como hoje era feriado havia muitas pessoas gastando o dinheiro, aliás todo feriado e um dia de consumo não é mesmo.
De muitas das possibilidades que poderia acontecer ali, poderia haver muitas.Alguém poderia começar a gritar, alguém poderia começar a correr, poderia até cantar sua música favorita em alto e bom som mas o que iria acontecer seria algo menos provável que qualquer um poderia imaginar.
O céu se fechou, nuvens negras surgiam e o vento começou a ganhar força.E em forma de um espiral essas nuvem negra desceu até o centro da praça, era algo sobrenatural.Algumas das pessoas se afastaram mas a curiosidade os mantinham ainda no local.Quando com uma grande força uma luz branca intensa povoou o todo o local, e quando ela chegou ao seu ápice uma grande coisa apareceu em meio a praça.
Como eu havia dito era uma coisa muito improvável mesmo.Era uma nave, como a que vimos em filmes de ficção científica, um formato oval.Mas não era prateada era branca.
Todos ficaram surpresos e boquiabertos, não havia uma boca se quer que estaria aberta, impressionada pelo o que acabaram de ver.Mas havia a de uma pessoa, se lembra daquele menino comum de olhos castanhos e tal, bem ele não estava impressionado.
Mas enquanto isso a velha, a garota, o empresário, o artista, a garota punk, e um cara religioso.Todos estavam boquiabertos.
E der repente uma pequena ponte se abriu na nave espacial, uma pequena ponte branca é claro, e enquanto ela se abria um fumaça emanava da nave.E saíram dois seres, seres como o do filme O Dia o dia em que a terra parou, mas claro eram brancos e altos.E quando terminaram de descer o da esquerda se pronunciou.
Olá. — Fez uma pequena pausa e continuou. — Seres da Terra. — Era uma voz masculina forte, como se fosse a de um homem velho, mas havia uma segunda voz falando simultaneamente a ele, era uma voz feminina bem baixa.
— Como vocês estão. — Disse o da direita, que possuía uma voz feminina, que era semelhante a de uma mulher calma e sábia, mas como o da esquerda possuía uma segunda voz enquanto falava, só que masculina.
Todos que estava na praça ficaram espantados, até que novamente o da esquerda se pronunciou novamente.
— Cheguem mais perto, não tenham medo.
E sem hesitação, as pessoas se reuniram em volta, não estavam com medo, estavam apenas curiosos.
— Isso mesmo! — Exclamou o da direita.
As pessoas já estavam sorrindo e fazendo pequenos comentários umas com as outras, e já pensando "o que vamos perguntar a eles" e as perguntas seriam "qual será o sentido da vida".
— O que vocês querem seres de outra galáxia? — Disse a garota.
— Podemos fazer algumas perguntas? — Disse o empresário.
— E agora em que vou acreditar! — Disse o religioso.
— Vocês nos criaram? — Disse o artista.
— Podem me dar uma entrevista, ganharia muito dinheiro com isso. — Disse o empresário.
— Podem me fazer viver mais? — Exclamou a velha.
Todos estavam fazendo perguntas, exceto a garota punk.
— Esperem, esperem! Tenham calma meus amigos. — Disseram os dois seres, e continuaram. — Nós apenas queremos um voluntário.
— Eu! — Disseram todos que eu disse que falaram agora pouco, e mais alguns que estavam presentes na praça.E novamente a garota punk não se pronunciou.
— Se acalmem disse o da direita, vocês nem ao menos sabem por que precisamos.
— É claro que nós sabemos que vocês querem uma pessoa para contar o segredos do universo. — Exclamou a garota, e continuou. — Eu sou a pessoa mais qualificada aqui para isso.
— Calada garota! — Disse a velha. — Você nem saiu de suas fraldas e quer saber sobre algo tão valioso assim, cresça!
— Não! Não é nada disso. — Disse o da esquerda.
— Vocês vão nos matar? — Disse o cara religioso.
— Não! — Novamente disse o da esquerda.
— Aposto que vocês querem alguém com uma visão para negócios! — Dizia o empresário.
— Meu amigo. — Dizia o da esquerda. — Não precisamos de suas riquezas, elas são fúteis para nós.
— Vocês querem arte! — Disse o artista, e prosseguiu. — Isso é mais valioso do que riquezas!
— Não. — Dizia o da direita rindo calmamente.
— Querem respostas? — Disse a garota punk, que antes estava calada se interessou na proposta das criaturas.
— Não garota. — Disse o da esquerda. — Essa foi a resposta mais precisa que recebemos até agora, mas para termos as respostas precisamos...
O garoto de cabelo castanho surgiu entre a multidão e gritou interrompendo o ser.
— Eles querem um voluntário apenas!
 Todos olharam torto para aquele garoto, e maioria que estavam olhando pensavam e falavam "mas que merda esse garoto tolo acabou de dizer!".
— Exato! — Exclamaram em alto em bom som os dois seres, enquanto as pessoas olhavam torto para o garoto.
— Mas para quê precisam de um voluntário ora! — Resmungava a garota punk.
— Para navegar em seu cérebro e descobrir a maravilha de como é essa estrutura maravilhosa que a humanidade precisa.
— Pois então, eu sou a melhor pessoa para esse trabalho, sou jovem, saudável e inteligente. — Exclamou a garota.
— Mas essa navegação entre o seu cérebro o mataria, mesmo com essas condições você aceitaria. — Disse o da direita.
E depois que as pessoas escutaram isso todas, exceto duas pessoas da multidão, mudaram os seus semblantes de felizes e curiosos para medrosos e covardes.
— Mas isso é um absurdo! — Disse a velha!
— É preciso! — Disse o da esquerda. — A resposta vocês carregam em vocês, seres humanos, mesmo nós sendo seres infinitamente superiores a vocês nós não temos esse poder, tudo depende de vocês.

— E quem não quiser se oferecer. — Disse a garota punk.
— Mataremos todos sem hesito!
E novamente sobre a multidão houve alvoroço.E todos apontavam e gritavam indicando pessoas que estavam próximas a eles, e todos que recebiam as propostas exclamavam "Está maluco!" e "Pare de apontar para mim, vá você!".
— Calem-se! — Disse o da direita, e prosseguiu. — Espero que vocês entendam, temos milhares de anos de idade, nossa espécie está morrendo e se obtermos a resposta o quanto mais rápido puder teremos mortes tranqüilas, isso para uma raça que busca por conhecimento é o mais importante, entendam!
— Então vocês querem um sacrifício? — Disse a garota punk.
— É tudo que queremos, um voluntário. — Os dois seres brancos disseram.
Todos estavam pensativos e com medo da morte inevitável que esperavam alguém daquela multidão.Todos pensavam até que a garota gritou:
— Quem quer morrer? — Gritou ela de uma forma trivial.
— Que tal a velha, ela já está velha mesmo. — Disse o empresário.
— Calado moleque! Por que você não vai então! — Resmungou a velha.
— Então essa garota que acha que sabe de tudo. — Disse o artista.
— Que tal esse maluco que só fala merda! — Disse o empresário apontando para o artista.
— Esperem eu acho que essa garota seria a melhor opção. — Disse a garota apontando para a garota punk.
Várias pessoas concordaram na multidão.Até que o cara religioso se pronunciou.
— Que tal esse garoto. — Dizia ele empurrando o coitado.
— Hein! Não eu nem vivi ainda! — Dizia o garoto desesperado.
E as pessoas da multidão concordavam, com comentários do tipo "É mesmo esse moleque não tem nada para cuidar." ou "Antes ele do que eu!".
— Por que acham isso! Só por quê eu sou o mais jovem de todos vocês.
— É, algum problema? — Disse o empresário.
— É, tem um problema sim! — Pela primeira vez as criaturas esboçavam alguma reação desde que todos falaram alguma coisa. — Eu nem comecei a minha vida.
— Talvez por isso você seja perfeito. — Exclamou a garota.
— E você! Você é mais velha do que eu por que acha que você é diferente de mim.
— Ora! Eu estou noiva, quero me casar e ter filhos.
— Eu também! — Dizia o garoto desesperado. — Eu nem mesmo nunca beijei alguma menina.
— Menino atrevido não sabe respeitar os mais velhos, faça isso logo calado. — Exclamou a velha.
— Cale-se! Você está a um pé da morte, o quê acha que vai fazer se casar novamente? Ter mais filhos? — A velha bufava a cada palavra.
— Vamos garoto faça isso por nós! — Disse o artista.
— Não posso! Não posso mesmo. — Disse o garota. — Minha mãe ficaria furiosa comigo se descobrisse que eu morri.
— Mas é por um bem maior garoto. — Insistia o artista.
— E você? Acredita que um dia será reconhecido por sua arte, ou faz isso por amor!
 O artista abaixava a cabeça e sumiu em meio a multidão.
— Vamos garoto! Nunca leu uma bíblia, ame o seu próximo... — Disse o cara religioso.
— Você! Você me dá nojo, se você me amasse você também se ofereceria fique calado. — Disse o garoto, todos em meio a multidão ficavam calados.
E então o religioso correu fugindo daquele local, enquanto todos o olhavam com um olhar de desprezo.
— Olhe! — Dizia a criatura da direita. — Ainda precisamos de um voluntário e rápido.
— Alienígenas vocês acreditam que eu seja capaz de atender a isso? — Dizia o garoto que a esse ponto do campeonato já perdia a esperança.
— Qual quer humano tem todas as respostas, qual quer um mesmo! — Disse o da esquerda. — Um adulto, um garoto, uma velha; Todos!
— Não podemos obter a reposta por si só? — Disse a garota punk.
— Vocês podem. — Disse o da direita. — Mas vocês habitam esse mundo a muito tempo, várias vezes vocês podiam obter as respostas porém existem distrações, que vocês mesmos criam.
— Pode ser eu mesmo, não me importo mais. — Disse o garoto e todos na multidão ficavam surpresos com tudo aquilo que haviam dito sobre o garoto.E ao mesmo tempo aliviados.
— Está certo de sua escolha garoto? — Dizia os dois seres ao mesmo tempo.
— Sim estou...
— Então venha.
 Enquanto o garoto ia vagarosamente até a pequena ponte, a garota punk correu até ele e segurou suas duas mãos e levantado elas, e olhando em seus olhos.
— Olhe, você é diferente espero que isso vala a pena.
E logo depois deu um beijo em sua boca, que demorou cerca de dez segundos aliviando a alma do garoto, ela soltou suas mãos e chorando correu pra longe da multidão.
O da direita se abaixou e olhou para o rosto do menino e disse em seu ouvido:
— Olhe garoto, você é a criatura que sabe de todo que precisamos, isso que você demonstrou foi um grande ato, talvez nenhum desses seres aqui neste local seriam tão bons quanto você.
O segundo ser, o da esquerda se abaixou e disse em seu ouvido.
— Olhe, nós vamos fazer isso de uma maneira limpa, vamos implantar em você memórias felizes antes que você morra, sabe você vai ter uma vida feliz antes da morte.Saiba de uma coisa as pessoas só morrem quando são esquecidas, e você não será esquecido tão facilmente.
— Não precisa... — Disse o garoto.
Então os três iam adentrando a nave, até que a garota gritou:
— Esperem, vocês não vão compartilhar conosco a descoberta.
— Vocês não o merecem! — Disse o da direita, em alto em bom som, e essas palavras quebravam a alma de todos no local.
E todos sentiam um sentimento de culpa, a nave sumiu como veio em um clarão.E depois alguns choravam e outros ficavam confusos com o que acabou de acontecer, certamente dúvidas iriam os perseguir o resto de suas vidas junto com a tristeza de um ato tão ignorante.
E eu estava ali, do outro lado da rua comprando jornais, com anti-depressivos no bolso, estava planejando tirar minha vida naquela noite.Depois que tudo aquele evento, dúvidas surgiam em minha cabeça, talvez eu teria um motivo pra viver.Eu tentei compreender aquele garoto, ele tinha a resposta e eu tentei entende-lo por um bom tempo, aliás será que a vida dele valia a de toda a humanidade.E foi preciso alguém sacrificar por isso
Aquilo tudo me mostrou que todos nós temos a resposta, mas não sabemos como obtê-la.


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